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Dia Mundial do Câncer: a prevenção começa na alimentação


Data de Publicação: 4 de fevereiro de 2026
Crédito da Matéria: Assessoria de comunicação CRN-2
Fotos: Assessoria de comunicação CRN-2
Fonte: Assessoria de comunicação CRN-2


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No Dia Mundial do Câncer, é fundamental ampliar o diálogo sobre prevenção, cuidado e qualidade de vida. Entre os diversos fatores que influenciam a saúde, a alimentação tem um papel essencial tanto na prevenção quanto no apoio ao tratamento oncológico. Por isso, falar sobre escolhas alimentares conscientes é uma forma de promover informação, acolhimento e esperança.   

Conversamos com a especialista em Nutrição Oncológica e conselheira da CRN-2 Micheline Pannebecker (CRN-2 17.977), para entender melhor como a alimentação pode contribuir durante o tratamento do câncer e qual é o papel do nutricionista nesse processo. A profissional atua em uma associação hospitalar, auxiliando na alimentação do paciente, no fortalecimento do organismo e na melhora do bem-estar. 

Como o câncer e seus tratamentos afetam a alimentação e qual é a importância do nutricionista oncológico nessa situação? 

O câncer e seus tratamentos podem impactar a alimentação de várias formas. A própria doença pode alterar o metabolismo, reduzir o apetite e causar perda de peso e, principalmente, de massa muscular. Já tratamentos como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia costumam provocar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, alterações no paladar e no olfato, mucosite, dor ao engolir, diarreia ou constipação, o que dificulta a ingestão adequada de alimentos e a manutenção do estado nutricional.

Nesse contexto, o nutricionista oncológico tem um papel fundamental. Ele avalia de forma individualizada o estado nutricional do paciente, considerando o tipo de câncer, o tratamento em curso e os sintomas apresentados. A partir disso, orienta estratégias alimentares que ajudam a minimizar os efeitos colaterais, manter ou recuperar o estado nutricional, preservar a massa muscular e fortalecer o organismo para enfrentar o tratamento. Também intervém no pré, peri e pós-operatório, contribuindo para os melhores resultados.

Além disso, o nutricionista oncológico atua de forma muito próxima e humana, respeitando preferências, limitações e o momento emocional do paciente. A alimentação deixa de ser apenas uma necessidade biológica e passa a ser uma aliada no cuidado, contribuindo para melhor tolerância ao tratamento, recuperação mais rápida e melhora da qualidade de vida.

Existe algum mito comum sobre alimentação e câncer que você gostaria de esclarecer? 

Sim, existem vários mitos em torno da alimentação e do câncer, e um dos mais comuns é a ideia de que o paciente não pode consumir açúcar ou que determinados alimentos “alimentam o tumor”. Esse é um equívoco bastante difundido e que gera muita preocupação. Todas as células do organismo utilizam glicose como fonte de energia, inclusive as células saudáveis, e a exclusão total do açúcar ou de grupos alimentares inteiros não impede o crescimento do câncer. Pelo contrário, esse tipo de restrição pode levar à perda de peso, de massa muscular e à desnutrição, prejudicando a resposta ao tratamento.

É importante esclarecer que o problema não está no açúcar (glicose) em si, mas na forma como é consumido. Não se recomenda a adição de açúcar aos alimentos, como açúcar branco, demerara ou mascavo, mel, melaço, xaropes ou adoçantes calóricos. A orientação é que a glicose (açúcar) provenha, preferencialmente, de alimentos in natura e integrais, que fornecem energia de maneira mais equilibrada e ainda oferecem fibras, vitaminas e minerais.

Outro mito frequente é o de que a carne vermelha deve ser totalmente excluída da alimentação após o diagnóstico. O que as evidências científicas mostram é que o problema está no consumo excessivo, especialmente de carnes processadas, e não no consumo moderado de carne vermelha in natura. Em muitos casos, a carne vermelha pode ser uma fonte importante de proteína, ferro e vitamina B12, nutrientes essenciais para a manutenção da massa muscular e da força durante o tratamento oncológico.

Também é comum a crença de que existem alimentos, chás ou dietas milagrosas capazes de curar o câncer. A alimentação é uma aliada fundamental, mas não substitui os tratamentos médicos. Seu papel é apoiar o organismo, melhorar a tolerância às terapias e promover qualidade de vida.

Existem alimentos que ajudam a reduzir o risco de desenvolvimento do câncer? Quais devem ser evitados? 

 Não existe um alimento específico que previna o câncer, mas padrões alimentares saudáveis ajudam a reduzir o risco da doença. Uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, leguminosas e cereais integrais, gorduras de boa qualidade, fibras e compostos bioativos que protegem o organismo.

Por outro lado, devem ser evitados ou consumidos com moderação alimentos como carnes processadas, excesso de carne vermelha (limitar ao consumo de 500g cozida por semana), ultraprocessados, bebidas açucaradas e álcool. Mais do que proibições, o foco deve estar no equilíbrio e em um estilo de vida saudável como um todo.

Não existe um percentual único e absoluto, mas as evidências científicas mostram que uma parcela significativa dos casos de câncer está relacionada a fatores de estilo de vida modificáveis. Estimativas indicam que cerca de 30 a 50% dos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças em hábitos como alimentação inadequada, sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool e tabagismo.

Isso não significa que todos os casos sejam preveníveis, já que fatores genéticos e outras exposições não controláveis também influenciam o risco. No entanto, esses dados reforçam que as escolhas de estilo de vida têm um impacto importante na redução do risco de desenvolvimento do câncer, além de contribuírem para a saúde de forma geral.

O tratamento do câncer pode acarretar uma maior necessidade de vitaminas e minerais. A suplementação alimentar é indicada? 

O tratamento do câncer pode aumentar o risco de deficiências de vitaminas e minerais, mas a suplementação não deve ser feita de forma rotineira. Ela só é indicada quando há deficiência comprovada ou risco nutricional, sempre com avaliação profissional.

Sempre que possível, a prioridade é obter esses nutrientes por meio da alimentação. Quando necessário, a suplementação deve ser individualizada e feita com segurança, com acompanhamento do nutricionista oncológico, para evitar riscos ou interferências no tratamento.

Qual mensagem você deixaria sobre a importância da alimentação saudável no Dia Mundial do Câncer? 

 A alimentação saudável é uma forma de carinho com o corpo em cada fase da vida. No Dia Mundial do Câncer, é importante lembrar que pequenas escolhas diárias também são gestos de cuidado, esperança e respeito com a própria saúde. Comer bem não é sobre perfeição, mas sobre oferecer ao corpo o melhor suporte possível — na prevenção, durante o tratamento e na recuperação. É um ato de amor que acompanha cada pessoa em sua jornada.


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