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1º de outubro - Dia Mundial do Idoso


Data de Publicação: 30 de setembro de 2022


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NUTRIÇÃO E O IMPACTO PARA O ENVELHECIMENTO

Nutricionista Joseane Gobbato Basgal Alves, CRN-2 9342

   O envelhecimento é um fenômeno multifatorial, que envolve fatores psicossociais, culturais e históricos, em que a nutrição está diretamente envolvida, reduzindo complicações e, até mesmo, se apresentando como fator decisivo para a manutenção da qualidade de vida do idoso. ¹

   Estima-se que em 2040 serão 23,8% de idosos representando a população brasileira, sendo 153 idosos para cada 100 jovens. ²

   Dados apontam que, em 2050, teremos mais idosos que jovens no Brasil, necessitando de investimento nutricional, médico e atividades que propiciem qualidade de vida da população. 

   Metabolismo lento por perda de massa magra, alterações hormonais e redução na absorção de nutrientes, além do aumento da massa gorda, tornam a atividade física e o consumo de proteínas tão importantes para essa fase de vida. 

   A perda óssea, que acelera a partir dos 50 anos, com efeito elevado nas mulheres após a menopausa, tem alteração na absorção de cálcio pela queda de vitamina D. Esta, pode ser obtida por meio de alimentos e do sol (forma endógena). ³

   A nutrição e o envelhecimento são temas com adaptações necessárias à etapa da vida em questão, pois ocorre maior comprometimento do estado nutricional, visto as alterações fisiológicas e de ingesta alimentar.

Importância da Nutrição

   O manejo nutricional para a população idosa envolve desde alimentos de fácil digestão, à busca de preferências na refeições e variedades que tornem esse alimento atrativo.

   No RS, a população idosa cresceu 40% nos últimos 10 anos, sendo 2,1 milhões de idosos em nosso Estado, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) contínua, divulgada pelo IBGE no mês de agosto de 2022 (4). O maior acesso à saúde e renda relativamente acentuada, contribuem para redução com custos em hospitalização, e facilita o acesso a alimentos da safra que compõem o equilíbrio nutricional diário.

   A perda de neurônios motores, dieta inadequada e a inatividade física, causam o desenvolvimento da sarcopenia. 

   A sarcopenia é uma síndrome geriátrica com perda de massa muscular que pode ser dependente de uma ou várias causas, como: doenças inflamatórias, hormonais, desnutrição, sedentarismo. Pode ainda contribuir para a incapacidade funcional, o aumento da fragilidade e do risco de queda e, até mesmo, morte prematura.

   Existe, ainda, a preocupação com a obesidade sarcopênica, muito comum em idosos. O aumento de gordura corporal, tem ainda um processo inflamatório e citocinas induzindo a disfunção mitocondrial desencadeando um quadro de resistência à insulina e catabolismo muscular (5, 7).

   A obesidade visceral afeta o estado inflamatório, causando resistência à insulina, sendo um fator importante no desenvolvimento de síndrome metabólica e doenças crônicas não transmissíveis.

   A desnutrição e os riscos na terceira idade são causados pela falta de um ou mais nutrientes. Dados apontam que 1% a 15% são idosos domiciliados, 35% a 65% hospitalizados e 25% a 60% institucionalizados (6). 

   Entre os possíveis motivos de desnutrição estão: dificuldade de acesso aos alimentos, doenças neurológicas, infecções urinárias, câncer, perda de apetite, demência e confusão mental, depressão, incapacidade física, doenças respiratórias e endócrinas.

   Outras doenças crônicas e a sarcopenia que afetam os idosos podem ser evitadas ou tratadas com acompanhamento nutricional, melhorando o aporte de proteínas e calorias nas refeições.

   O idoso necessita de maior aporte proteico, devido à resistência anabólica, condição que faz com que a síntese proteica seja alcançada com níveis maiores de alimentos com estes nutrientes (8).

   Para o idoso sarcopênico, a ingestão proteica diária recomendada é de 1 a 1,2 g/Kg de peso/dia, sendo preferencialmente as digeridas rapidamente (por exemplo: proteína do soro do leite também conhecida por whey protein).

   A vitamina D é um dos nutrientes mais importantes para o idoso, participa da absorção de cálcio, influenciando na composição e metabolismo ósseo. A falta de vitamina D está associada à diminuição da força muscular, perda óssea, aumento do risco de quedas e fraturas. A carência desta vitamina ainda é relacionada a várias doenças autoimunes, entre elas: Diabetes mellitus insulino-dependente, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, Lúpus e artrite reumatoide.  A perda óssea, que acelera a partir dos 50 anos, tem efeito elevado nas mulheres após a menopausa. A vitamina D pode ser obtida por meio de alimentos e do sol (forma endógena) (9).

Pilares da longevidade

   O ajuste comportamental para um estilo de vida saudável, com relação à nutrição, exercício físico, higiene do sono, manejo do stress e socialização afetam diretamente para melhor qualidade de vida, assim como resulta em prevenção e redução de custos com a saúde. 

   As mudanças fisiológicas e corporais são evidentes e, por isso, a importância dos cuidados especializados voltados à pessoa idosa (10). 

   Hábitos alimentares saudáveis resultam, não apenas no retardo do envelhecimento, mas também em uma vida mais saudável. Para um envelhecimento ativo e com mais saúde é necessário um planejamento alimentar adequado, seja no âmbito institucional ou familiar e acompanhamento profissional especializado.

     E, sempre considerando as especificidades individuais quanto às necessidades nutricionais do idoso, a orientação de um nutricionista é fundamental.

   No processo de envelhecimento, para melhor qualidade de vida, o nutricionista tem um papel de destaque, orientando em escolhas alimentares visando a manutenção e a recuperação da saúde e a prevenção de doenças (11). 

 

 

 

 

 

 

Nutricionista Joseane Gobbato Basgal Alves, CRN-2 9342
Nutrição de Geriatria e Gerontologia

 

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

  1. Moraes EM. Atenção à saúde do idoso: Aspectos conceituais. Organização PanÁmericana da saúde, 2012.
  2. MIRANDA et al.,2016.
  3. Rossi EE, Sader CS. Envelhecimento do sistema osteoarticular In: Freitas EV, et al. Tratadi de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan.p.508-514, 2002.
  4.  Agência IBGE de notícias, 2018.
  5. WANG et al., 2020.
  6. DIRETRIZ BRASPEN de terapia nutricional no envelhecimento. 2019.
  7. Hickson M. Malnutrition and ageing. Postgrad Med J. 2006;82 (983):2-8.
  8. OMran M..L, Morley J.E. Assessment of protein energy malnutrition in older persons, part I: Histrory, examination, body composition, and screening tools. Nutrition, 2000.
  9. Marques C.D.L., Dantas A.T., Fragoso T.S., Duarte A.L.B.P A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes. Artigo de revisão. Ver. Bras. Reumatol. 50. Fev. 2010.
  10. OLIVEIR et al, 2014.
  11. Ed. São Paulo, SP. Roca, 2005.